26 de junho de 2009

Alargadafoiinicidatodoscorrendodesesperadosparaofinal.

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Enquanto os olhava, sua mente viajava entre o mar. Todos morrendo em uma só onda, sem corpos ou sangue, sem mentiras ou falas, a morte simples e rápida. E por que não aquela com cabeçadas na quina da mesa? Apenas a imaginação continha a raiva. Não, sem sangue não. Voltava ao inicio. Era preciso mais que isso.
Ela observava o maior número possível de pessoas e as via morrendo. Morrendo como cães sem dono. Aquele, enfia-se um cano atravessado e a cabeça é pendurada. A dança é melhor com o fedor e moscas. Sua mente viajava entre os sete mares para ver monstros e destroços de navios. Monstros. É o que todos são, monstros. E aos poucos saia do mundo e ia para o seu, cheio de flores, casas, cores e câmeras. Pinturas e fotografias por toda a parte. E poderíamos entrar em uma dessas casas, e ela estaria arrumando-a. Poderia ser uma jovem cheia de sonhos. Sorriso estampado na cara morta. Era a noite e sua cidade já estava ficando cheia. sua alegria estava enorme bastava apenas uma casa. Mas os Monstros, sim eles, não aceitavam o silêncio. Não se pode ficar em dois lugares ao mesmo tempo, mas os Monstros não sabiam. E agora, por que todos sumiram? Por que não posso... E todos saíram de sua casa para deixá-la sozinha, todos foram embora enquanto sua voz ia desaparecendo. Não conseguiria voltar, estava presa, com fome entediada.

20 de janeiro de 2009

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Ela julgava pelos erros, pessoas imprestáveis e boas. Não precisava da vida completa, apenas de uma desculpa e as imagens vinham em sua mente...



Enquanto isso o quarto ia ficando pequeno, as paredes iam se juntando com enormes espinhos mortíferos por ela toda. Acordou e o espelho ainda estava lá, sua feição pobre, feia, destruída não havia mudado. Em quem colocar a culpa? Não há culpa, não há vida.


Seus corpos se misturavam, o suor não era problema. E os gemidos aumentavam cada vez mais. Pareciam dois animais no cio, duas mulheres gozando com as mãos. Nuas, deliciosamente cansadas, satisfeitas, adúlteras.


O triângulo estava no telhado, para que ao deitar ele fosse sempre lembrado que aquilo o motivava. Era preciso sempre lembrar, levantar e sentir o ar daqueles números que rodeavam seu quarto. Relembrar todos os dias o que lhe fazia viver, o que lhe fazia esquecer o telefone e a campainha.


A única solução para o choro era as compras, era sair e gastar. Gastaria o que lhe deviam, compraria para esquecer porque estava com olhos inchados. Compraria para largar as sacolas no sofá e voltar ao travesseiro, encharcá-lo mais uma vez e então dormir. Sonhar sem saber o que e acordar para se olhar no espelho mais uma vez.



Ela conseguia ouvir as minúsculas coisas que falavam, com tanta gente por perto sempre havia algo que lhe interessava. Sempre havia erros discutidos entre pessoas e palavrinhas admiráveis. Julgava, contava, havia números não pessoas. Ao anoitecer os erros eram passados para o papel, os melhores eram guardados e os piores jogados pela janela. Ela deixava a mercê de quem quisesse pegá-los, vê-los, surpreender-se e jogá-lo ao lixo novamente. Ela simplesmente julgava, mesmo quando lhe falavam para não o fazer, ela julgava. Saia nas ruas para conhecer novas pessoas, para encontrar novos erros, para perdoar cada número. As histórias eram escritas a caneta, e quando havia modificações ela colocava no verso do papel. Acrescentava o perdão ou a miséria, a vontade ou a preguiça, o horror ou a alegria, indiferente ao que aconteceu, indiferente ao que está marcado. Era apenas um julgamento sem testemunhas, jurados ou advogados. Apenas o juiz e o réu.

17 de dezembro de 2008

Hobby.

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Sonhos transformados em hobbies. Por que no Brasil tudo vira hobby? Ser fotógrafa, é um hobby. Desenhar, é um hobby. Ser artista, um hobby... etc etc etc. Nada disso pode se tornar realidade, uma profissão e se isso acontece, é porque primeiramente foi um hobby. Alguém com PHD em qualquer coisa relativo a medicina, descobre um dom artísitco, começa como um hobby, descobre o quanto é estressante seu trabalho e puf! Um novo artista nasce. E alguns desistem porque não querem hobbies, querem profissão, querem ganhar com aquilo que gostam de fazer. Mas é claro, não ganha tanto e no nosso país isso não é valorizado. A não ser se for como um hobby....

Ok, isso tudo é para não estressar e colocar em caps lock QUERO QUE SE FODA TUDO ISSO, NÃO QUERO SER FOTOGRAFA COMO UM HOBBY CARALHO. Enfim, tenham uma boa semana.

19 de novembro de 2008

E se seus sapatos fossem descolor?

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Akif Hakan Celebi


E quando todas as cores inconstantes se juntarem formando apenas uma mancha negra no papel? Todos os seres deveriam realizar seus desejos profanos sobre as cores convenientes de seu olhar, e para os cegos resta-se o tato. Tatear a cor que lhe convêm de maneira especializada.

E se um dia as cores se cansarem de serem cores e preferirem ser apenas um vácuo? Tudo o que foi desejado, criado, comportado e modulado cairá pelas frestas dos dedos como areia fina, como tinta, como água.

E se quando o vermelho desistir de ser vermelho, o azul querer outra cor e o amarelo outro tom oposto ao seu? Todos os quadros, desenhos, pinturas, arquiteturas, paredes, livros serão descoloridos, quebradiços, desmoronados e palavras sem nexo.

Faz-se do mundo a cor, o movimento dado é ela quem escolhe seus desejos representando o furor de um beijo. E por onde andarão as pessoas quando as cores desistirem de serem cores? Quando o amarelo, o azul, o vermelho se cansarem? Quando virarem uma mancha negra no céu? Diz-me o quão sem graça seria a Vida sem as cores do dia seguinte.

12 de novembro de 2008

Dialogo com a Imortalidade

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Cala-te, monstro. Sua mente me repugna, seu olhar me amedronta e sua voz me irrita. Todo o jogo para o nada, toda a vida para isso. E as cartas na manga? E o atalho para o tudo? E as cócegas para o lucro?


Tens medo de mim por não ter-lhe dado o que queria, tens medo de mim por simplesmente ter-lhe conseguindo o valer do estresse irritantemente excitado da mortalidade. Sempre reclamam sempre se irritam e sempre têm medo. Não vês que tudo acaba que o ciclo termina para outro, que a flor murcha para nascer, que a fênix é preciso a cinza? Não encare isso tão mal, existem as piores.


Não, estou jovem, estou saudável, estou bem e ainda não consegui o que queria. Toda sua promessa, tudo invalido, tudo acabado, tudo terminado. NÃO! Aonde pensa que me levará? Não deixarei. Suas mãos não irão me guiar e meus pés fixarão aqui e nada mais. Não sairei sem que cumpra sua promessa, sem que me dê tudo o que desejei.


Chama-me de monstro, mas o verdadeiro és tu, mortal insolente. Dei-te tudo que desejou, que pediu, que implorou, e eu nem sou Deus. Dei-te o prazer de viver mais, e ainda me chama de monstro! Cansei de suas ladainhas sem perdão, já que estás reclamando reclamará acorrentado. Irá comigo e pare de choramingar, sua alma agora é minha e não tem volta. Não sabes o quanto é tediosamente chato ser imortal, não sabes o quanto ouço isso sempre, não sabes o quanto eu gostaria de estar no seu lugar.


Ótimo, então trocaremos! Ficarei no seu lugar, e você no meu... dará mais vida ao meu corpo e eu serei imortal e quando morrer, trocamos novamente.


Achas que já não ouvi essa proposta várias vezes? Achas mesmo que já não pensei em fazer isso? Ridículo, ridiculamente burro alias. Vamos logo, sua idade não interfere se deve ou não ir, seus pensamentos não me fará ter dó, o que fez enquanto corpo não dará piedade pela alma que me critica agora.

Mortais, reclamam de mim sem saber o que é a eternidade. Reclamam do que não sabem, e ainda dizem saber sem nunca ter experimentado. Criticam-me tanto, mas não sabem como é difícil ter nascido nem saber de onde e como se torna cansativo viver sem saber da sua lápide. Mortais, me culpam por ser injusta sendo que sou justa, tão justa quanto a Vida. Humanos pensam demais sem saber que o melhor é calar-se, sentar-se, dar-me a mão e voar. Mortais, morrem antes que os busquem, morrem quando se esquecem do sangue que ainda existe, morrem quando não estou por perto.








Ps.: Lê, caso leia: já está pronto ^^

2 de novembro de 2008

Tempo.

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Texto I

Músicas cantadas por valsas rodadas. O sorriso criticado, o olhar cansado e a boca seca. Bailes de reis, rainhas, príncipes e princesas ao luar. Valsa rodada pelo timbre dos teus tatos. Cores saindo dos pés, saias mostrando o não querer do desejo, cócegas pelos sofás. E você intacta pelo momento neo romântico do século, tão futura no passado das mãos quentes. Olha para lua como quem olha um estranho.

Texto II

Desenhos escondidos por armas roubadas. Seqüelas do passado lacrado. Sonhos com desejos esdrúxulos pela noite. Amanhecer sem sol alaranjado na janela. Estudos recolhidos no profundo, amantes esquecidas por defuntos. Vícios partidos por garrafas enlatadas. Começo do final pelo desespero do início. Sangue pulsando o órgão já desfalecido, neurônios mandando pretéritos pela mente. Olhar vagante de súbito mudado por penetrante. Grafia horrível pelo lápis, grafia legível pela tinta. O caminho segue em busca da vida, sem saber que esta segue à procura do fim.

21 de outubro de 2008

Estrela Vaga

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Akif Hakan Celebi


E os dois soltaram as mãos para que ela começasse a pular ao seu redor, ele apenas a apreciava. Ela tão ingênua, tão bonita, tão mulher e tão menina... Sai correndo, vai para o outro lado da rua e senta na sarjeta, o manda sentar também, mas não do lado dela e sim onde está, em sua frente. Ela ria, ria e não sabia o porquê, estava apenas contente, feliz, dentes a mostra, tão linda. “Por que não para de me olhar?” E essa frase ecoava em seus ouvidos, a frase dita sorrindo e ele apenas observando. Apreciava com um sorriso maior ainda, com um olhar de carinho e amor, sentindo seu cheiro a uma largura de rua de distância, tocando em sua pele mesmo tão distante. Puro. Meigo. Lindo. “Anda, me diga!!! Que cara de bobo é essa???” Cara de bobo, deveria estar mesmo já que ela não saia de seu campo de visão, mesmo se quisesse, nunca sairia. Nunca. Jamais. Ela ia o envolvendo, e ele estava apenas a observando, mas como isso? Como acontecer isso tão cedo, tão rápido, tão marcante? Paixão? Não. Amizade? Muito menos. É aquela palavrinha que nos ensinam quando criança, que passamos a vida inteira procurando, que vivemos falando em vão, é o neologismo a cada escrita, é o significado a cada dicionário, é a diferença a cada pessoa. E ela tão meiga... “Se você não parar de me olhar, vou ficar vermelha.” Isso, fique enrubescida, deixe que eu te veja no mais puro ser que qualquer outra pessoa possa chegar. Fique envergonhada e verás um verdadeiro bobo, uma pessoa que te levaria as estrelas. Mas para que tão longe? A uma largura de rua de distância já basta, já me agrada, já me alegra te ver tão próxima e tão distante. “Bobo, meu bobo.” Pronome possessivo, posse, sua posse, totalmente seu, totalmente escravo da sua pureza tão branda. Magnífica. Linda. “Ok, não consigo ficar tão longe de você.” O fatídico, ela vem correndo assim como foi e você acorda com o barulho da sirene passando. Limpe as lágrimas, ela não consegue ficar tão longe de você, mas você consegue esquecê-la para a noite.