Enquanto os olhava, sua mente viajava entre o mar. Todos morrendo em uma só onda, sem corpos ou sangue, sem mentiras ou falas, a morte simples e rápida. E por que não aquela com cabeçadas na quina da mesa? Apenas a imaginação continha a raiva. Não, sem sangue não. Voltava ao inicio. Era preciso mais que isso.
Ela observava o maior número possível de pessoas e as via morrendo. Morrendo como cães sem dono. Aquele, enfia-se um cano atravessado e a cabeça é pendurada. A dança é melhor com o fedor e moscas. Sua mente viajava entre os sete mares para ver monstros e destroços de navios. Monstros. É o que todos são, monstros. E aos poucos saia do mundo e ia para o seu, cheio de flores, casas, cores e câmeras. Pinturas e fotografias por toda a parte. E poderíamos entrar em uma dessas casas, e ela estaria arrumando-a. Poderia ser uma jovem cheia de sonhos. Sorriso estampado na cara morta. Era a noite e sua cidade já estava ficando cheia. sua alegria estava enorme bastava apenas uma casa. Mas os Monstros, sim eles, não aceitavam o silêncio. Não se pode ficar em dois lugares ao mesmo tempo, mas os Monstros não sabiam. E agora, por que todos sumiram? Por que não posso... E todos saíram de sua casa para deixá-la sozinha, todos foram embora enquanto sua voz ia desaparecendo. Não conseguiria voltar, estava presa, com fome entediada.
O fotógrafo e o poeta
9 horas atrás
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