"Sociedade Alternativa, Sociedade do Novo Aeon. Um sapato em cada pé, o direito de ser ateu ou de ter fé." Raul Seixas
18 de outubro de 2010
Sanidade Experimental
Vento leve, brisa reconfortante. Lá embaixo cada um tem seus problemas o que dificulta ouvir os outros: fones.
Dia de chuva, a calçada se enche de guarda-chuvas e sombrinhas. Fecho a minha e passo correndo entre o grande toldo humano contra-chuva que se forma. Momentos ínfimos de estúpida alegria terminados ao Sol.
Pela janela do meu quarto observo quem vem vindo, destruo quem está longe o suficiente para não me ver e escondo-me quando olham para cima.
Chamam táxi, ônibus, carros, caronas. Correm desajeitados em direção ao atraso. Sempre estão atrasados.
Diferente de muitos, naquele dia fazia Sol.
Continuo olhando pela janela. Não preciso "tomar coragem", já tenho. Talvez tenha nascido com o instinto, talvez surgiu quando precisei de grupos. Sei que nunca, nenhuma pessoa, foi capaz de notar.
Continuo olhando pelo simples ato de observar, ninguém nota a menina com a janela aberta vendo o tempo passar. A janela é de vidro, não precisaria abri-la. Pensa uma jovem que, lá de baixo, começa a reparar no meus atos. É quase como quem diz "Eu sei o que ela vai fazer, já passei por isso." Sorrio para a jovem que atravessa a avenida e vai embora. Ela simplesmente sabe e me sinto mais confortável enquanto ela segue.
Começo a Dança escorando cada vez mais meu corpo no parapeito da janela.
Livre para sorrir, parafraseando Titãs.
Danço mais alto e mais intenso, sem aquele medo. Destruo com a vida de quem nada tinha a temer ao meu lado. Descobrirão que sou egoísta.
Em sequências fotográficas todo meu passado é transmitido nos segundos que precedem o concreto. Sempre tive a dúvida de quem foi o primeiro ser que descreveu o que se vê quando está morrendo. Tudo volta.
No chão meu sangue se mistura com meu cérebro e gritos de passantes na calçada que nada sabiam. Sorriso na face contradizendo tudo.
No fundo eles sabiam como eu era.
Em cima da cama meu computador ligado; celular com várias chamadas perdidas; e o mais importante - que andei lendo e descobri que todos, ou a maioria, tinham - a carta de despedida respingada com colírio.
As vezes é preciso mais experiência do que leitura, provas concretas para se acreditar. Eu não as tinha, nunca as tive.
Digitado por
Iris Cristinna
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1 opiniões:
Óoootimo texto, Iris. Desenvolvimento, final, reflexão. Você relê, relê, relê e chega a várias conclusões, ainda mais se você cursar Psicologia, hahaha.Gostei mesmo. Ah, e você precisa me ensinar a interpretar essa tela, depois.
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