27 de novembro de 2010

Contraste


Mark Jenkins

De repente nada mais fez sentido. Agora entendeu que, para qualquer lugar que fosse, seus erros acompanhariam e perseguiriam-na como algo implacável. Impossíveis de serem esquecidos, perdoados. Qualquer que fosse o lugar, ela não estaria bem.
Nada mais daquilo que desejava com tanto fevor, fazia sentido. Afinal, o que ela fazia ali? O que queria provar com tudo isso? Apenas se orgulhar de ter ido contra todos? Agora, contra ninguém. Então, o que queria? O que era realmente importante?
Desesperador esperar pacientemente por um placar distante de seu alcance, que talvez nunca aconteça. E agora resta apenas deitar, dormir, para que o tempo passe mais rápido.
Tudo seria mais fácil se fosse um livro, uma fantasia. Não adianta mais fugir, o livro termina e a fantasia dura apenas até a hora do sono. Não adianta chorar, restam as esperanças de quem não te viu ainda.
Acalme-se boa menina - pensava consigo - agora resta, a nós, apenas deitar e sonhar... Enquanto ainda conseguimos.

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