17 de novembro de 2010

Descalço

Maya Hayuk


O despertador tocaria no mesmo horário, tempo programado de sempre.
A manhã teria o mesmo Sol, as mesmas pessoas correndo do atraso e o mesmo ponteiro duas vezes. Qual a diferença, então, de um ou outro? Não faria! Não há quem realmente se importe, afinal. Nunca houve.
Aparenta ser mais novo, mas queria e sabia que só duraria um ano. Até que ponto aguenta?
Foi embora, deixou o despertador ligado e sabia que a Sol nasceria por mais uma noite. Nada de muito trágico, só avisos das nuvens que voltavam do local.
Agora foi assim, nada muito teatro como havia sido toda vida. Só terra, só chão, apenas escadas.

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