5 de junho de 2011

...

Troche


Haveria necessidade de tudo aquilo?
Agora o medo assolava seu quarto nas paredes escurecidas pelo odor de sangue fresco.
Olhava a sua volta e não entendia como e porquê. Não teria nenhum motivo aparente para aquela ação.
Suas mão sujas ao lado do corpo deitado no chão, incriminaria.
Seus olhos já não expressavam mais nada. Era um vazio, perdido naquelas manchas que quase pareciam uma arte moderna.
Estava a espera de quê? De quem? Seria mais fácil, e inteligente, fugir. Mas suas pernas já não queriam obedecê-las. Estava imersa no fundo de sua mente, protegida de qualquer mal que qualquer um pudesse fazer.
A qualquer instante alguém entraria naquele quarto. Seu desejo era fotografar a imagem do desespero de quem quer que fosse que a descobrisse.
Seu rosto fez o primeiro movimento consciente: sorriu. Demonstrou uma felicidade quase infantil. Quase, porque seus olhos misturaram-se com os respingos de sangue que estavam em seu rosto.

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