6 de janeiro de 2012

Duas décadas

Enquanto isso seus olhos observavam as estrelas, o céu de sempre. Parou porque seu cansaço era visível, seus lábios estavam secos, sua face borrada e seu cabelo pouco sedoso.
Agora seria como se tudo fosse diferente, igual das outras vezes. Voltou sua cabeça para trás, para todo caminho percorrido, todas as flores. Aqueles famosos baobás ela havia conseguido arrancar, alguns persistiam intactos, grandiosos as vezes, mas aprendera a não importar-se.
Voltou novamente para frente; como em qualquer momento tinha apenas uma escolha e duas estradas. Observou novamente o céu como quem busca ajuda. Este permaneceu em silêncio, assim como das outras vezes. Isso já não a incomodava.
Sentou. Sabia que o tempo corria, mas tinha certeza que agora sua ponderação valeria a pena. Pensar, refletir, relembrar e comparar.
Sentiu toda brisa batendo em suas costas, todo seu medo se dissipando. As recordações já não doíam mais.
Continuou sentada, a ação não demoraria muito, apenas parou para refletir por mais alguns instantes. Apenas descansou de si mesma antes de voltar.

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